Técnicas de avaliação da composição corporal

O índice de massa corporal (IMC) é amplamente utilizado para classificação do estado nutricional de populações adultas, podendo detectar, de maneira simples e rápida, condições de baixo peso, eutrofia, sobrepeso e obesidade (1).
Entretanto, vários autores apontam limitações na sua aplicação (Imagem 1), principalmente quanto ao seu uso como indicador de obesidade em indivíduos não obesos e/ou praticantes de exercício resistido (1-3).

Imagem 1. Limitações do Índice de Massa Corporal

A obesidade pode ser definida como acúmulo excessivo de gordura corporal (GC) e esta condição está intimamente ligada a complicações  cardiovasculares e metabólicas (4). A quantificação da GC, seja ela na sua forma absoluta (kg) ou relativa (%), é de suma importância para o acompanhamento da saúde e/ou estética. Para a estimativa do percentual de gordura corporal (%GC), o próprio IMC assim como medidas antropométricas podem ser utilizados (2).  Deurenberg et al. (5), Lean et al. (6) e Gallagher et al. (7) desenvolveram equações para a estimativa do %GC de homens (H) e mulheres (M) com base no IMC, criando assim, uma alternativa ao uso das dobras cutâneas (DC),  para a estimativa da obesidade.

A técnica de DC (Imagem 2 ) é uma prática muito aplicada para estimar a GC e uma das equações mais usuais para esta finalidade é a de Jackson e Pollock (8) e Jackson, Pollock e Ward (9).

Imagem 2. Técnica de dobras cutâneas

Em geral, as equações estimam a densidade corporal e, posteriormente, os resultados são utilizados em uma segunda equação, que transforma seus achados em %GC e, para isso, a equação de Siri (10) é a mais usada, sobretudo no Brasil.  Isso é atribuído aos seus resultados que apresentam grande correlação com os obtidos por procedimentos laboratoriais, considerados os mais precisos para esta finalidade (11). Tanto a técnica de DC quanto a do IMC são importantes para a estimativa do %GC em virtude de sua facilidade de aplicação, baixo custo e capacidade de predizer riscos  associados a doenças metabólicas e cardiovasculares (2). Entretanto, Arroyo et al. (12) encontraram diferenças significativas quando compararam o resultado do %GC estimado por equações que utilizam as DC e o IMC como variável antropométrica, na sua amostra de estudantes universitários. Os mesmos autores citam que o IMC, quando comparado ao %GC, deve ser interpretado com cautela para a classificação de sobrepeso e obesidade por sua baixa sensibilidade. Tal condição fica ainda mais evidente em sujeitos fisicamente ativos e/ou praticantes de musculação.  Haja vista, que o IMC elevado também pode ser encontrado em pessoas com massa isenta de gordura elevada, mesmo quando a gordura corporal não está excessiva (13).

Referências bibliográficas.

1. Rocha AC, Guedes Jr DP. Avaliação física para treinamento personalizado, academias e esportes. São Paulo: Phorte; 2013.
2. Guedes DP. Procedimentos clínicos utilizados para análise da composição corporal. Rev Bras Cineam Desempenho Hum. 2013;15(1):113-29.
3. Sales NM, Browne RAV, Moraes JFVN, Asano RY, Campbell CSG, Simões HG. Índice de massa corporal estima percentual de gordura calculado pela espessura de dobras cutâneas em mulheres adultas. R Bras Ci e Mov. 2013;21(2):5-11.
4. Azevedo FR, Brito BC. Influência das variáveis nutricionais e da obesidade sobre a saúde e o metabolismo. Rev Assoc Med Bras. 2012;58(6):14-273.
5. Deurenberg P, Winstrate JA, Seidell JC. Body mass index as a measure of body fitness: ageand sex-specific prediction formulas. Br J Nutr. 1991;65:105-14.
6. Lean MEJ, Han TS, Deurenberg P. Predicting body composition by densitometry from simple anthropometric measurements. Am J Clin Nutr. 1996;63:4-14.
7. Gallagher D, Heymsfield SB, Heo M, Jebb SA, Murgatroyd PR, Sakamoto Y. Healthy percentage body fat ranges: an approach for developing guidelines based on body mass index. Am J Clin Nutr. 2000;72:694-701.
8. Jackson AS, Pollock ML. Generalized equations for predicting body density of men. Br J Nutr. 1978;40:497-504.
9. Jackson AS, Pollock ML, Ward A. Generalized equations for predicting body density of women. Med Sci in Sports Exerc. 1980;12:175-81.
10. Siri WE. Body composition from fluids spaces and density: analysis of methods. In: Techniques for measuring body composition, Washington: National Academy of Science and Natural Resource Council; 1961.
11. Okano AH, Carvalho FO, Cyrino ES, Gobbo LA, Romanzini M, Glaner MF et al. Utilização do adipômetro CESCORF para a estimativa da gordura corporal relativa a partir de equações validadas com o adipômetro Lange. R. da Educação Física/UEM, Maringá. 2008;19(3):431-6.
12. Arroyo M, Rocandio AM, Ansotegui L, Herrera H, Salces I, Rebato E. Comparison of predicted body fat percentage from anthropometric methods and from impedance in university students. Br J Nutr. 2004;92:827-32.
13. Ferreira L, Honorato D, Stulbach T, Narciso P. Avaliação do IMC como indicativo de gordura corporal e comparação de indicadores antropométricos para determinação de risco cardiovascular em frequentadores de academia. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva. 2013;7(42):324-32.