Avaliação do Core: Possibilidades e Aplicações

Recentemente participe de um dos maiores eventos de Fitness e Negócio da América Latina (IHRSA, 2018), foi demais e por isso gostaria de compartilhar com você um pouco do que abordei na minha palestra sobre: Avaliação do Core: Possibilidades e Aplicações (Foto 1).

Foto 1. Palestra sobre Avaliação do Core – IHRSA, 2018

Conceitualmente Core pode ser definido como centro do corpo e nesta região estão 29 pares de músculos, onde uma de suas funções é de gerar uma base de sustentação e estabilização ao complexo quadril-lombar-pélvico (Fredericson e Moore, 2005).

A estabilização da coluna é garantida graças ao um sistema passivo (discos, ligamentos e capsulas), ativo (músculos e tendões) e neural (sistema nervoso central). Os músculos localizados nesta região podem ser divididos em estabilizador local, estabilizador global e mobilizador global e estes estão localizados nas regiões mais profundas estendendo-se para as áreas mais superficiais do CORE. Estes músculos agem para movimentar e/ou estabilizar o complexo quadril-lombar-pélvico no plano sagital, frontal e transversal.

Segundo Hibbs e cols. (2008), Atualmente, não se tem dúvidas que uma região do core forte poderá beneficiar atividades da vida diária, como também a performance esportiva (Figura 1.)

Figura 1. Core: Avaliação, treinamento e benefícios

Sendo assim, o primeiro passo é escolher o protocolo que irá fazer o uso para avaliar a função estabilizadora e de movimento do core e para isso a literatura especializada disponibiliza diversos protocolos. Entretanto, um ponto que merece destaque é que a grande maioria dos protocolos que tem com objetivo avaliar a função de estabilização do complexo lombar-quadril-pelve utilizam testes estáticos (pranchas frontais e laterais, como também, o Sorensen teste) (Figura 2.)

Figura 2. Testes para avaliação do função de estabilização estática do core

Obviamente que a estabilização deste complexo é fundamental e a baixa capacidade de estabilização é utilizada como prognóstico de desordens lombares (lombalgia). No entanto, é de suma importância que além dos testes tradicionais, teste que meçam a capacidade de estabilização dinâmica também seja utilizado durante as avaliações (Bliven e Anderson. Haja vista, que frequentemente alguns desvios posturais surgem durante o movimento (ex. valgo dinâmico) mesmo em sujeitos com bons índices nos testes estáticos. O valgo dinâmico (Figura 3) é a incapacidade de manter um bom alinhamento de joelhos e quadril, durante o movimento de agachar e esta incapacidade muitas das vezes está relacionada a dores anteriores a articulação do joelho (dor patelofemoral).

Figura 3. Valgo dinâmico.

A causa da dor patelofemoral muitas das vezes está relacionada a fraqueza do músculo glúteo médio, que não consegue estabilizar o quadril durante o movimento (agachamento e até mesmo durante a caminhada ou corrida)  e não dos músculos que são avaliados nos exercícios de pranchas frontais e durante o Sorensen teste.  Desta forma, o teste de agachamento unipodal pode ser uma alternativa de grande valia para a análise da capacidade de manter um bom alinhamento de joelhos e quadril.

Agora com posse destas informações o profissional de educação física poderá de forma lógica e objetiva desenvolver um programa de treinamento para o core de forma mais assertiva, minimizando os possíveis erros e tendo parâmetros para ajuste de carga e avaliação da eficiência do programa em andamento (Figura 4.)

Figura 4. Raciocínio lógico para escolha dos exercícios para o Core

 

Referências bibliográficas

Angela E. Hibbs; Kevin G. Thompson; Duncan French; Allan Wrigley; Iain Spears. Optimizing Performance by Improving Core Stability and Core Strength. Sports Med 2008; 38 (12): 995-1008.

Kellie C. Huxel Bliven; Barton E. Anderson. Core Stability Training for Injury Prevention. SPORTS HEALTH, 2013. DOI: 10.1177/1941738113481200.

 

 

 

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