Periodização do treinamento desportivo

Periodização do treinamento desportivo

A periodização do treinamento desportivo é uma forma de organizar de forma lógica o tempo (calendário) disponível do atleta e cargas de treino e recuperação para o se antiga a máxima performance em uma data pré-determinada (competição alvo). Esta forma de organização é uma prática muito antiga, existem relatos de organização de treinamento desde a Grécia Antiga. No entanto, toda essa forma de racionalização do planejamento era realizada de forma empírica. Dessa forma, é importante ressaltar que esta racionalização do planejamento desportivo deve estar o mais distanciado possível de toda improvisação, integrar os conhecimentos em um sistema estrutural e organizado e estar o mais perto possível da ciência e tecnologia. Sendo assim, por volta de 1950, influenciado pelo avanço tecnológico e científico a periodização do treinamento evoluiu e começou a ser organizada utilizando o conhecimento técnico/científico e com tendo como base a Teoria da Supercompensação (Figura 1). Talvez a primeira explicação cientificamente fundamentada sobre a melhora da performance tenha sido oferecida pelo bioquímico soviético Yakovlev em 1950.

 Figura 1. O ciclo da supercompensação, demonstração da tendência da capacidade de trabalho após uma única carga.

Sendo assim, um dos pioneiros no alinhamento da organização dos treinos (periodização) com as repostas biológicas e fisiológicas esperadas frente às cargas de treino foi o Matveev (Cientista Russo).  Matveev idealizou a periodização do treinamento apoiado em avaliações estatísticas do comportamento de atletas de diversas modalidades esportivas da Ex União Soviética nas décadas dos anos 50 e 60. Este cientista organizou as cargas de treino em períodos e fases de tal forma, que o atleta caminhava de uma preparação geral para específica ao ponto que o volume era reduzido e a intensidade aumentada (linearmente) até se aproximar da competição alvo. (Figura 2)

Figura 2. Modelo de periodização linear.

A periodização linear fui utilizada com sucesso por muitos anos, no entanto, devido a mudanças no cenário esportivo (mais competitivo), e um número crescente de competições importantes onde se exige que o atleta tenha alta performance em vários momentos (picos) ao ano, começou a se questionar a eficácia deste modelo. Entretanto vale ressaltar que o modelo de periodização linear ainda é muito efetivo para categorias de base, atletas amadores que competem pouco (1 a 3 vezes) durante o ano e para a maioria dos clientes de personal trainer.

Pois bem, outras propostas surgiram e uma que se adequou ao cenário esportivo atual foi o modelo de periodização em blocos. O Conceito básico deste modelo utiliza cargas concentradas (acumulação), seguidas de específicas (transformação) e de realização (especificas somadas a regeneração) (Figura 3.)

Figura 3. Modelo da proposta das cargas concentradas (blocos)

Este modelo parte do princípio que as cargas concentradas (acumuladas) no início do período (mesociclo), geram uma redução importante de indicadores funcionais (queda de performance), que é esperado, e posteriormente (transformação), iniciasse á recuperação da capacidade física, percebida pela melhoria dos indicadores fisiológicos e quando o atleta entra no bloco de realização a capacidade física supercompensa e com isso o sujeito atinge o ápice da sua performance (Figura 4.)

Figura 4. Modelo de organização em blocos e suas consequências nos indicadores funcionais (performance).

Pesquisadores denominam esse fenômeno como: efeito acumulado do treinamento; efeito residual do treinamento ou efeito de acumulação retardada da carga de treino. Devido a curta duração dos blocos, somados a transição do “geral” para o específico associados a uma aumento das cargas (habilidades) especificas, associado à recuperação (regeneração), o atleta pode atingir vários picos de performance no ano, o que o aproxima das necessidades do esporte atual.

 

Literatura sugerida.

Issurin, V.B. New horizons for the methodology and physiology of training periodization. Sports Med 2010; 40 (3): 189-206.

 

 

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